quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sinopses

Olhando a mesa da sala se vê envelopes
Outrora eles habitavam as mãos do carteiro
Pouco antes de habitar a caixa de correios
Cartas sempre serão sinopses.

São sinopses da realidade
Antecipam o sentir a vida
Mesmo se realidade não for verdade
Sinopses do porvir de amor, surpresa ou despedida

Mas o que diriam os símbolos das falas?
A ansiedade se esvai ao manuseá-las
Contas, contas e mais contas
E desmorona mais um faz-de-conta

Não há lugar mais para bobos!
Nesse mundo veloz que nunca pisa no freio
Há águias devorando pássaro novo
Ninguém mais bota carta no correio

Correr para não se atrasar
O tempo é dinheiro!
Correr para manter a forma
Correr!
É o que faz o mundo inteiro

É preciso se atualizar
Não escrever cartas em folhas de caderno
Fazer jogging para relaxar
Habitar em fim o mundo moderno

Esquecer o correio e incorporar novos vícios
É hora de calçar o tênis para o exercício
E correr diariamente por entre edifícios.


6 comentários:

Zélia Guardiano disse...

Querido Rodrigo!
Que show, esta sua "Sinopses"!
Quanta verdade você diz!
Análise perfeita da realidade, hoje.
Só uma pequena objeção(rsrsrs...): eu boto carta no correio...rsrsrs... Com envelope ilustrado e tudo: arte postal.
Bem, para concluir: adoro vir aqui, meu amigo!
Sempre!!!
Abraço apertado.

Í.ta** disse...

cartas sempre serão sinopses.

adorei!

grande abraço.

Lara Amaral disse...

Lindo poema!

Beijo.

Marcio Nicolau disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcio Nicolau disse...

repito o que disse a você recentemente: este lugar aqui é obrigatório pra mim. Ocorre mesmo a chamada identificação. Com relação a poesia acima, devo lhe dizer que, agora aos trinta, deixei de escrever cartas, em função do advento da internet, mas que, durante a adolescência, mantinha intensa correspondência com amigos. Hoje, lamento que os e-mails (teoricamente os sucessores das cartas) sejam tão impessoais e contenham tanta informação dispensável. Avançamos ou retrocedemos, afinal? O mundo perde, na mesma medida dos ganhos. Ou seja, o resultado, noves fora é zero, é nada. E não há nada que substitua uma carta com os traços e até o perfume daquele que a escrever, abrir o envelope é um acontecimento! Não sei, acho que estou envelhecendo...

Marcio Nicolau disse...

Rodrigo, relendo teus textos que dão samba.

Saudade.