segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Eu te amo, mas não muito

Eu te amo, mas não muito
Não quer dizer que não goste
Ou que quando te toque
Não seja maravilhoso e fortuito

Quer dizer que é como o mar
Que vai e vem movido pelo ar
Amar é a maré que tem somente a lua
Como sua sedutora condutora nua
Assim como meu coração
Que possui sua própria razão
Não é a da cabeça não
É uma espécie de oração
Que é a vida em canção
Que não se anula por conta de um refrão

Sem versos com clichês
Que se canta sem cachês
Sua melodia com ardor
Sem rimar amor com dor
Até sem rima e sem função
Talvez nem tenha um refrão
Mas que seja bom de cantar
É receber só por se dar

É que sem refrão se enxerga o coração
Então pode se amar de montão
Um amor saudável
Onde ser feliz é tão palpável

Desculpe, magoar não
Nunca foi minha intenção
Mas esse seu amor que é tão gigante
É maior que o maior elefante
É um fardo tão pesado
E já, já será passado
Não sei qual é o teu intuito
Mas saiba que te amo, mas não muito.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Senão

Senão

Você afirma que aquele verde é único
Eu digo que é o azul com amarelo
Vejo o quão brasileira é aquela canção
Diz que parece Elvis Costello
E grita que o melhor amor é o maior do mundo
Eu digo que esse amor é um inferno
Chamo-te para ao mar, dar um mergulho?
Sugere a areia, o sol de inverno.
Reclamas que o cachorro late muito
Admiro o ladrar que é tão singelo
Indagar a modernidade é meu discurso
E apontas a importância do progresso
Você contradiz a todos e a tudo
Eu não enxergo na unidade nada belo

No entanto quando o pranto não é tanto
Por vezes no amor o quanto mede-se nos entretantos
E amor tem que ter senão
A legislação é feita pelo porém
Amor, desordem e progresso com paixão
É um Comte para nós e mais ninguém.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Antisofista

Antisofista

Não se deve entregar a alguém o direito de antecipar seu réquiem
Quem não precisa de ninguém precisa de todo mundo
E quem precisa de todo mundo não precisa de ninguém

Querendo chegar a algum lugar
Vá até lá
A pé ou de trem
Não dependa também
De pai, filho, espírito santo
Amém.
Não espere a aprovação, meu bem
Caso contrário será refém
De todo mundo
E todo mundo é ninguém.


                                      


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Vaga-lume


Vaga-lume

Na Gávea vagueia o vaga-lume
Claro 
                      Escuro
Sim
Não
Vai
Volta
Não há revolta na peregrinação.
                   Será ele?
Será ela?
Será que vem à minha janela?
A luz reluz e conduz a retina
Meu olhar segue e persegue
A sina
Do brilho teu
E embora com pálpebras abertas
Ele pisca os olhos meus

E sua candura não cura minha loucura
Como atura minha procura?
Acho que vem de longe...
                                         De Gramacho?
De Benfica?
                Da Pavuna?
De um belo horizonte!
                                                                         Eu te perco
Eu te acho
               Hora em cima
               Hora em baixo
Dá um clic no mato!
E lá vai...

Vai achar tua vaga enquanto vagueia na Gávea
Vaga-lume
Que acho que um dia me acho
E encaixo lá no Baixo
O compasso do teu lume.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O velho


O velho
Ontem como um raio de sol
Eu vi um idoso sorrindo
No fim dos meus 33 anos
Eu vi um idoso sorrindo
Pensei na vida quando
Eu vi um idoso sorrindo
Não vi o velho com uma flor
Eu vi um idoso sorrindo

E ele me fez pensar
Que o tempo está partindo
Partir é o ofício do tempo
E o idoso reluzia sorrindo
E alguns se entristecem com o tempo
Que o tempo está partindo
Amigos se enforcando com gravatas
E o idoso reluzia sorrindo

Pessoas vendem seu coração
Pessoas jantam em frente à televisão
Pessoas fazem do casamento uma prisão
Pessoas vivem para arranjar seu milhão
Pessoas aplaudem o seu vilão
Pessoas discutem para ter razão
E ontem como um raio de sol
Eu vi um idoso sorrindo

Ele deixava
O tempo inventivo
Cheio de graça
Sabia que mais uma vez
Ele estava partindo.