sábado, 22 de março de 2014

O Lenço

Mergulhamos no mar de amor
Estrelas que nada sabem do mar
Dançarinos felizes que não sabem bailar
Marinheiros que mal sabem nadar
Grumetes felizes que cozinham omeletes enquanto criam raízes

Mas a vida trata de ser vida
E não tarda a primeira despedida

Mas o que é a vida senão uma sucessão de despedidas?
Escolas
Cursos
Supermercados
Repartições
Lojas
Hospitais
Cemitérios
Nos despedimos de todos os empregos com charme ou truculência
Deixamos uma língua inteira para trás
Gestos
Palavras
Trema
Chapéus
Roupas
Gírias
Tendências
Sempre com descrição ou eloquência
E entre beijos e acenos seguem barcos no horizonte desaparecendo
Aeroportos
Rodoviárias
Festas
Velórios
Bairros
Cidades
Pessoas
Tudo segue como se fosse em frente
Relações criam almas
Quem penam na hora do adeus
Alimentam-se de lágrimas calmas
E vez por outra assombram os seus


Quer algo no firmamento
Que tudo esteja em movimento
Qualquer coisa traz das mãos abanadas o seu vento
Qualquer cor
Qualquer som
Qualquer letra
Qualquer tom
Qualquer bar
Qualquer mesa
Alguém sabe o nome dessa música? 
Ninguém volta ileso da sua viagem
Só a arte é sabe entrar e sair de qualquer parte

domingo, 13 de janeiro de 2013

Reflexões sobre você


Reflexões sobre você

Você possui míseras quatro letras, mas consegue ser o som que mais soa...
Quatro letras que são donas do nome de qualquer pessoa...
Uma consoante, uma vogal, uma consoante, uma vogal e meu mundo se perdeu
Com ou sem acento marcado, não é por acaso que você é sempre maior do que eu.
São dois por quatro, como um compasso de um samba.
Na cadência do meu peito a festa descamba
Tomando conta do ser
Talvez seja por isso que eu só quero, eu só desejo, eu só chamo
E principalmente eu só amo...
Você
Você
Você
Você




domingo, 23 de setembro de 2012

Amor de longe, benzinho



                Definitivamente posso afirmar que amar a distância é para poucos. Como cantou o grande Cartola: “Amar e gostar só de longe não faz ninguém chegar perto”. Existe a clássica crônica onde o genial Rubem Braga afirma ser impossível amar a distância. Sim, sim é impossível para eles e para mim também. Amar a distância a princípio é coisa cheia de princípios e paciência. E o meu amor nunca teve princípios e muito menos paciência. Eu sou daqueles que não consegue guardar um doce na geladeira para mais tarde. Não sou a pessoa que deixa para contar algo na hora mais oportuna e nem aquela que mede palavras para um amigo. Meu amor é um prato que se come quente com sabor muito exótico. Picante, doce, amargo e repleto de um veneno que se não mata, esfola. Quero sempre devorar a vida, pois tenho a impressão que se não for assim a vida me devora. E por essas e outras eu não seria capaz de amar a distância. É fato que amar a distância é para poucos.
                Mas nesse mundo onde cruzamos com milhares de pessoas todos os dias que nunca mais iremos ver nas nossas vidas existem uma infinidade de vivências e enredos possíveis. E existe um enredo muito especial feito de quem sofre a distância e guarda emoções bem embrulhadinhas em um cantinho da alma para o próximo encontro. Existem amores que possuem um suspiro especial ao tocar o telefone ou receber uma mensagem. É um suspiro diferente do telefonema da namorada da rua de trás porque a rua de trás está ali atrás e pode-se sempre ir ao outro lado do quarteirão.  Existe tempo para maturar as emoções e equacionar os conflitos. Existe sim a saudade, mas essa ao mesmo tempo corrói o peito e alimenta os que têm força par um amor verdadeiro.
O amor a distância é sábio e separa o joio do trigo. Pois paixões avassaladoras inúteis e ilusões se desfazem com muitos quilômetros e algumas tentações dos poucos metros daquela mesma rua de trás.  Como Machado de Assis escrevera outrora: “A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, como o vento apaga as velas e atiça as fogueiras”. Justamente por isso ama a distância é para poucos, poucos amores.
                Repensando tudo fica claro que amar a distância é um capricho do destino que fez o favor de separar grandes amores por terra, céu ou mar. Fica mais do que claro que a distância não importa o que importa é amar. Porque o verdadeiro amor encurta distâncias, compartilha vivências e aproxima sonhos. Amar é ter coragem de carregar um elefante nas costas e matar aquele tão falado leão por dia. E recorrendo ao Machadão mais uma vez: “Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar”!

domingo, 17 de junho de 2012

A Aposta

A Aposta

Eu apostei com o amor minhas inseguranças
Eu apostei com o amor todas minhas certezas
Eu apostei com o amor um milhão de poucos amigos
Eu apostei com o amor a cor dos meus cabelos
Eu apostei com o amor até um amor que eu já tinha
Eu apostei com o amor todas as minhas finanças
Eu apostei com o amor o crescimento de minha barriga
Eu apostei com o amor o olhar matinal de meus filhos
Eu apostei com o amor toda liberdade conquistada
Eu apostei com o amor todo o sofrimento de poeta
Eu apostei com o amor minhas declarações sem amor
Eu apostei com o amor todas as meninas e mulheres que tive e as que poderia ter
Eu apostei com o amor meu acampamento
Eu apostei com o amor meu sexo intenso
Eu apostei com o amor a diminuição de minhas olheiras
Eu apostei com o amor a diminuição de meus problemas
Eu apostei com o amor meus sonhos cafajestes
Eu apostei com o amor o próprio cafajeste dos meus sonhos
Eu apostei com o amor uma vida sem riscos
Eu apostei com o amor todos os acordes maiores
E me sobrou só os dissonantes...

Ah! Quando ganhar vou sorrir com louvor
Pois tudo que tenho a perder não se compara a ganhar meu amor

quinta-feira, 1 de março de 2012

Amor, meu sincero amor

Amor, meu sincero amor
Não me negue seu beijo
Por castigo ou desprezo
Amor, meu sincero amor
Só me faça pirraça
Caso eu te troque por cachaça
Amor, meu sincero amor
Não seja mau comigo
Se for por um leve castigo
Amor, meu sincero amor
Não me negue sua língua
E me deixe triste no canto à míngua
Amor, meu sincero amor
Saiba sempre que te amo
Por esse, aquele ou qualquer que seja o ano
Amor, meu sincero amor
Qualquer que seja o ensejo
Não vale dormir sem seu beijo
Amor, meu sincero amor
É horrível ficar em um cantinho
Por uma noite inteira sem seu carinho
Amor, meu sincero amor
É melhor estar morto
Que deitar sem tocar o seu corpo
Amor, meu sincero amor
A vida é muito pequena
E saibamos
Que só nosso sincero amor vale a pena


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Por favor

Por favor, mais amor
A única coisa que me assombra
É a falta de amor
Quando a noite você ronda meu cobertor
E o sentimento é ausente
Enquanto é eloqüente e abundante o cheiro de flor

Por favor, mais amor
A única coisa que me entorta
É um gesto de amor
Quando me quebra e derruba todo meu rancor
Da vida que insiste em ser maldita
Mesmo quando cinza uma gota de sentimento enche tudo de cor

Por favor, mais amor
É a última coisa que te peço
Um pouco mais de amor
Para fazermos da vida alguma coisa melhor  ainda
E se o tempo passar cheio de luz
Vai querer parar e curtir nosso amor que nunca finda

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Poema Perfeito


Abri a porta entusiasmado
Mas não era você
Cheguei cheio de planos
Mas não era você
Abandonei as desventuras e os desenganos
Mas não era você
Tudo ao redor estava ao meu lado
Mas não era você
Um mundo milimetricamente perfeito
Mas não era você
Tudo respirava do meu jeito
Mas não era você
Fui do cinema mudo ao falado
Mas não era você
Tinha um sorriso meigo e apaixonado
Mas não era você
Olhos vibrantes e sonhos tantos
Mas não era você
Beleza e milhares de encantos
Mas não era você
Sonhei contigo e abracei algo ao lado
Mas não era você

O amor curiosamente deixara no apartamento
Tudo fora e nada dentro
Quase nada, pois ficara um tormento
Então atento
Abri a porta e a janela
E ouvi o aconselhamento
Do vento.
 

domingo, 20 de novembro de 2011

Corretivo



Sempre que sonho
Vem a realidade
Então apanho
  

 
 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Morena dos olhos de jacarandá

Morena dos olhos de jacarandá
Onde andará o desejo por mim?
Na rua? No céu? A beira-mar?
Ou escondida em uma flor de jardim?

Morena dos olhos de jacarandá
Onde andará seus sonhos juvenis?
Na festa? Na gaveta? No bar?
Ou no seu corpo como a flor de lis?

Morena dos olhos de jacarandá
Onde andará o te fazer sorrir?
Em mim? Num gesto? Num olhar?
Ou no que está guardado no seu porvir?

Morena dos olhos de jacarandá
Morena dos olhos de jacarandá
Morena dos olhos de jacarandá
Morena dos olhos de jacarandá

Você para mim é céu, terra e mar

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Pra Navegar

Para navegar deve-se ter certeza
que o mar
Não é feito de certezas
Assim como é verdade que a verdade
é uma mentira
Nada além que um mero artifício da vida
Verdade
Mentira
Certeza
Incerteza
Ruim
Boa
Depende do que o capitão grita à proa

Como se pode ter certeza de algo no mar?
Já que o fim do corpo é dormir
E do Barco afundar

Afirmo:

Em todo o resto
Deriva
O incerto
Até aportar por lá

Por isso giro no meu mundo
E me viro
Com o que pintar
Tenho criações de desejos e nunca alimento as expectativas
Pois elas crescem E começam a machucar
Não sei como serão as ondas desse navegar
Mas sei afastar as certezas
Para ter muitas viagens antes
de
afundar

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Eu te amo, mas não muito

Eu te amo, mas não muito
Não quer dizer que não goste
Ou que quando te toque
Não seja maravilhoso e fortuito

Quer dizer que é como o mar
Que vai e vem movido pelo ar
Amar é a maré que tem somente a lua
Como sua sedutora condutora nua
Assim como meu coração
Que possui sua própria razão
Não é a da cabeça não
É uma espécie de oração
Que é a vida em canção
Que não se anula por conta de um refrão

Sem versos com clichês
Que se canta sem cachês
Sua melodia com ardor
Sem rimar amor com dor
Até sem rima e sem função
Talvez nem tenha um refrão
Mas que seja bom de cantar
É receber só por se dar

É que sem refrão se enxerga o coração
Então pode se amar de montão
Um amor saudável
Onde ser feliz é tão palpável

Desculpe, magoar não
Nunca foi minha intenção
Mas esse seu amor que é tão gigante
É maior que o maior elefante
É um fardo tão pesado
E já, já será passado
Não sei qual é o teu intuito
Mas saiba que te amo, mas não muito.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Senão

Senão

Você afirma que aquele verde é único
Eu digo que é o azul com amarelo
Vejo o quão brasileira é aquela canção
Diz que parece Elvis Costello
E grita que o melhor amor é o maior do mundo
Eu digo que esse amor é um inferno
Chamo-te para ao mar, dar um mergulho?
Sugere a areia, o sol de inverno.
Reclamas que o cachorro late muito
Admiro o ladrar que é tão singelo
Indagar a modernidade é meu discurso
E apontas a importância do progresso
Você contradiz a todos e a tudo
Eu não enxergo na unidade nada belo

No entanto quando o pranto não é tanto
Por vezes no amor o quanto mede-se nos entretantos
E amor tem que ter senão
A legislação é feita pelo porém
Amor, desordem e progresso com paixão
É um Comte para nós e mais ninguém.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Antisofista

Antisofista

Não se deve entregar a alguém o direito de antecipar seu réquiem
Quem não precisa de ninguém precisa de todo mundo
E quem precisa de todo mundo não precisa de ninguém

Querendo chegar a algum lugar
Vá até lá
A pé ou de trem
Não dependa também
De pai, filho, espírito santo
Amém.
Não espere a aprovação, meu bem
Caso contrário será refém
De todo mundo
E todo mundo é ninguém.